quinta-feira, maio 24, 2007

Especial Citações

# Como estou sem tempo para produzir novas postagens, vou deixar que os outros o façam! Hoje, uma seleção com as melhores citações que pude encontrar. Algumas são por minha conta, foram ditas por personaagens meus. Elas estarão marcadas por asteriscos depois do nome do autor da frase. Bjins! (PS: se tiver uma frase legal, pode pôr lá nos comentários. Depois, junto tudo e faço outro post).

# "A imaginação é mais importante que o conhecimento." (Albert Einstein)

# "Se você quer café na cama, durma na cozinha." (Allison Pearson)

# "Não tenho medo da morte. Só não queroi estar lá quando ela acontecer." (Woody Allen)

# "Se o gosto é bom, faz mal para você." (Isaac Asimov)

# "O inverno mais frio que passei foi um verão em Barbacena." (Eu, parafraseando Mark Twain - ele falou sobre San Francisco.)

# "Filmes devem ter um começo, um meio e um fim - não necessariamente nessa ordem." (Jean-Luc Godard.)

# "Tudo tem um fim. Só a salsicha tem dois." (Provérbio alemão)

# "Ninguém morre por falta de sexo. É por falta de amor que nós morremos." (Margaret Atwood)

# "Pensar é o trabalho mais pesado que há. Talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso." (Henry Ford)

# "Não há diferença entre um sábio e um tolo quando estão apaixonados." (George Bernard Shaw)

# "Vocês é que têm que temer minha morte!" (Eduardo*, espírita convicto, ao ser perguntado se tinha medo da morte.)

# "O problema não é a Ciência. São os cientistas." (Eduardo*, sobre o não-reconhecimento dos fenômenos espíritas pela comunidade científica.)

# "A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca." (Carlos Drummond de Andrade - CDA para os íntimos. ^^)

# "As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele." (CDA)

# "Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante." (CDA)

# "Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons." (CDA)

# "Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência." (CDA)

# "Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis." (Charles Chaplin)

Pra encerrrar, bateria do Oscar Wilde:

# "A vida é muito importante para ser levada a sério."

# "Os homens ficam terrivelmente chatos quando são bons maridos, e abominavelmente convencidos quando não o são."

# "Toda a gente é capaz de sentir os sofrimentos de um amigo. Ver com agrado os seus êxitos exige uma natureza muito delicada."

# "Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo."

# "Se existe no mundo coisa mais aborrecida do que ser alguém de quem se fala é certamente ser alguém de quem não se fala."

# "É melhor ter um rendimento permanente do que ser fascinante."

# "A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses."

# "Ah! Não me diga que concorda comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado."

# "Sou contra os noivados muito prolongados. Dão tempo às pessoas para se conhecerem melhor, o que não me parece aconselhável antes do casamento."

# "A ideia que não envolve perigo não chega a ser ideia."

# "Os homens não sabem dar valor às suas próprias mulheres. Isso deixam para outros."

# "Há apenas um tipo de comunidade que pensa mais em dinheiro do que os ricos: os pobres. Os pobres não conseguem pensar em mais nada."

# "Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia."

# "Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de o fazer."

sábado, maio 12, 2007

Merchandising

# Oi povo! Não se preocupem, a postagem com o final de A Mansão ACBR está logo ali embaixo. Estou só postando para avisar que o blog d'O Conservatório está no ar. Trata-se de uma idéia que a Rowling me pôs na cabeça... Fazer um blog contando sobre as agruras e felicidades de alguém que está escrevendo um livro. Com a diferença que o livro vai estar on-line pra vocês me ajudarem a ver os erros e acertos, darem sugestões e tals.
# Como a gente, às vezes, não dá conta de escrever por algum tempo, empaca em um ponto ou não tem inspiração, mesmo, vão haver outras "diversões", tudo relacionado à história e seu universo.
# Um grande beijo, povo. Conto com a ajuda de vocês!
# Link: http://oconservatorio.blogspot.com

# Passem lá! Já tem bastante material on-line. ;)

sexta-feira, maio 11, 2007

Mansão ACBR - 4/4

Enfim, o fim! Surpresas, travessuras e muito mais. ^_^
Espero que a Mansão deixe saudades. ;)

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Parte 4 – A verdade

# Tuppence procurava conciliar o sono, sem sucesso. Uma música tocada na porta do seu quarto assustou-a. Aproximou-se do buraco da fechadura com cuidado, assustada. Começou a ouvir uma canção melancólica sobre um idiota que ofendera mortalmente uma bela moça e pedia perdão pelo crime de joelhos. Tuppie reconheceu a voz de Mitáfilo e abriu a porta para falar a ele umas verdades. Mãos fortes seguraram seus braços, imobilizando-a, e, logo depois, ela sentiu-se perdendo o fôlego.
# André começou a escrever um novo livro. Era impressionante o quanto aquela mansão e as temporadas passadas ali lhe davam idéias! De repente, seu rosto endureceu um pouco. Enquanto batia freneticamente as teclas de seu laptop, decidiu que não pediria para Lisa editar aquele livro. Apesar de tímido, ele não era burro.

# Lu Naomi e Lu Bertini jogaram pelo ralo o conteúdo da garrafa de Sirop de Cassis que alteraram mais cedo. Convenceram-se de que a Mansão, decididamente, não precisava daquilo para fazer publicidade.

# Lorde Death não conseguia dormir, apesar de a luz estar apagada. Aquela situação embrulhava seu estômago. Como as coisas podiam ter chegado àquele ponto? Caminhava de um lado para o outro, desassossegado, forçando-se a ver uma solução para aquele problema. Sentou-se na cama de costas para a janela. Naquele instante, estava completamente impotente. Cerrou os punhos com a frustração. “Bem debaixo do meu nariz!”
# Respirou doridamente. O que Strix queria dizer com “Há outro cão na Mansão”? Devia ser importante, já que a informação lhe custara a vida.
# Um ruído vindo da janela o fez virar-se bruscamente. A porta-janela estava aberta e as cortinas se agitavam. Entre elas estava uma figura que fez o sangue dele parar. Estendeu a mão para o abajur, mas a pessoa deu um passo à frente e pediu, suavemente:
# _Por favor, não é preciso, Pete. Nossos olhos já se acostumaram ao escuro, isso só vai nos ofuscar.
# Ele parou o gesto. Sempre se orgulhara de não ser supersticioso nem crer em nada que não pudesse ver ou tocar. Mas tinha que admitir que a visão de Strix a menos de dois metros dele estava minando sua calma.
# _O que você quer? _articulou, com dificuldade.
# _Nada de mais _ela acendeu uma vela que trazia nas mãos, dando um tom ainda mais fantasmagórico à sua presença. _Só conversar um pouco. Posso me sentar?
# Sir Pete fez um gesto vago, ainda de olhos estatelados. Percebendo a tensão dele, Strix riu gostosamente.
# _Relaxe, Sir Pete! _tirou um vidrinho do bolso. _Supersonífero da Strix. Sono cataléptico por três horas garantido ou seu dinheiro de volta.
# Com o elemento sobrenatural dissipado, Lorde Death sentiu-se novamente senhor de si. Olhou para ela muito severamente e disse, irritado:
# _É bom mesmo que conversemos. Que história foi essa de se fingir de morta?
# _Foi o único jeito que encontrei de frustrar um assassino e salvar temporariamente a vida de uma pessoa _respondeu ela, com simplicidade.
# Lorde Death abriu a boca e fechou novamente. A garota avaliou-o por instantes e só então continuou, séria, sem aquela infantilidade que costumava demonstrar:
# _Antes de continuarmos, Lorde Pete Death, quero que me dê sua palavra de cavaleiro de que tudo o que conversarmos aqui será mantido entre essas quatro paredes, a menos que a vida de alguém dependa disso.
# O nobre fez seu próprio exame da expressão dela.
# _Prometo.
# _Ótimo! Por minha vez, também prometo que não irei contar a ninguém que “Pete Death” é apenas o seu título, que seu nome verdadeiro é Daniel Moutinho, ex-diretor da Scotland Yard.
# _Como...! _ele sobressaltou-se. _Como descobriu?
# _Suspeitei da verdade na temporada passada, ao ver o quanto o senhor conhece a respeito da polícia e de criminosos, e tive certeza hoje, quando o vi presidindo com tanta autoridade as investigações preliminares da morte de Mr. Pugliesi. O senhor foi sagrado cavaleiro depois de se aposentar, suponho.
# _Hum... _o nobre resmungou, de maneira neutra.
# _E também, o nome do senhor é bastante conhecido entre uns amigos meus... Sou detetive semiprofissional. Não vivo desse trabalho, mas posso ser contratada para investigar casos bizarros, aparentemente impossíveis ou sobrenaturais. O nome Daniel Moutinho é muito conhecido no mundo do crime.
# “Como eu disse ao senhor, Lorde Death, mais cedo precisei me fingir de morta para salvar uma vida. Para entender isso, precisarei voltar um pouco no tempo... Lembra-se do incidente do ano passado?
# _Como esquecer?
# _Na ocasião, fui inocentada pura e exclusivamente por causa do testemunho de Mr. Darcângelo. Mas não escapei de ser censurada por colecionar venenos. Pensando nisso, meu pai e eu estivemos aqui no hotel fora de temporada e, com a autorização de Luky, troquei todos os venenos por sais e líquidos inofensivos cujo aspecto fosse muito parecido com o do veneno. Sais, Sir Pete. Sais. Se não me engano, o senhor reclamou de chá salgado...
# Sir Pete estremeceu. Era verdade. Por duas vezes, tomara um gole de chá e descobrira que ele estava salgado.
# _Alguém pensou que estava me envenenando? _disse ele, incrédulo. _E por quê?
# _Eu até imagino... _ela mordeu os lábios. _Vou lhe contar uma coisa, e é precisamente sobre ela que eu gostaria que o segredo maior fosse mantido. Há alguns anos, estive no Brasil para visitar... uns parentes muito distantes. Minha mãe sugeriu que aproveitássemos que já estávamos na América para passar uns dias na Argentina, em Buenos Aires. Houve uma briga medonha no hotel... Meu pai teria sido liquidado ali mesmo se não fosse a intervenção de um homem. Sou eternamente grata a ele, mesmo sabendo que ele é um bandido procurado. O senhor deve conhecer o nome muito bem, já que ajudou a polícia argentina a expulsá-lo de lá. Lembra-se do Cão Argentino, Lorde Death?
# _É claro que sim _disse ele, soturnamente. _É um dos muitos que adorariam me ver sete palmos abaixo do chão, o que me forçou a não usar meu nome. _Parou para refletir um instante e perguntou, apreensivo: _É este o outro cão que você disse que tem na Mansão? O Cão Argentino está aqui?
# _Sim _ela disse, simples. _Não contei antes porque, afinal, meu pai lhe deve a vida. E ele foi tão gentil comigo ao me defender ano passado e esse ano...
# _Mr. Darcângelo _ele comentou, pensativo. _Mas eu me lembro bem do Cão. Os dois são bem diferentes...
# _Cirurgia plástica existe para isso, não? _ela falou, pressurosa. E continuou, com voz sofrida: _Mas eu descobri que, apesar de ele ter salvado meu pai sem interesse nenhum, não estava me defendendo por cavalheirismo. Ele pesquisou sobre a minha família... Descobriu coisas... _a voz dela falhou um pouco. _Deixe eu lhe contar toda a verdade, Lorde Death, desde o incidente, até hoje à noite.
# Ela estivera sentada na cama de Sir Pete e agora se levantara. A vela lançou sombras sobre ela de uma maneira curiosa. Apesar de saber que ela estava bem viva, Lorde Death não pôde deixar de pensar que ainda estava parecendo um fantasma.
# _Quando ajudou meu pai em Buenos Aires, Mr. Darcângelo procurou se informar a respeito dele, para saber exatamente quem tinha salvado. Ele descobriu sobre meu avô... De como ele foi cruel e sanguinário. E de como, desde a morte dele, uma espécie de maldição assola os Van Allen. Nós atraímos desgraças onde quer que estejamos, Sir Pete. No meu caso, essas desgraças são sempre crimes. Não é à toa que em Kansendorf ninguém fala o nome Van Allen sem chamar boa sorte. Aqui na Inglaterra, eu sou, além de tudo, estrangeira. Pode imaginar como um júri iria me condenar por um crime na hora se tivesse a menor sombra de indícios contra mim?
# “Mr. Darcângelo sabia disso. Ele envenenou os biscoitos no Ano Novo, mas não o suficiente para que matasse alguém. As suspeitas caíram sobre mim, mas ele me inocentou. Era só um jeito de fazer com que parecesse ainda mais culpada depois... Depois, quando ele envenenasse o senhor, Lorde Death. Ele prestaria depoimento dizendo que mentira por um motivo qualquer a respeito dos biscoitos, e pronto: eis aí, a culpada perfeita: uma menina esquisita, com uma família que está sempre cercada de desgraças, que coleciona venenos e maneja bem armas brancas. Sem contar que é estrangeira.
# Lorde Death fez um gesto de concordância. Era um plano engenhoso.
# _E a morte do mordomo? _ele perguntou. _Ele descobriu que Mr. Darcângelo era o Cão Argentino?
# Strix chegou perto de Lorde Death e abaixou a cabeça. O sofrimento em seu rosto era maior ainda, quando ela sussurrou:
# _Não. Não teve nada a ver com isso. Entenda, Sir Pete... Quem matou Mr. Pugliesi... Fui eu.
# _Você??!!
# _Sim. Não foi proposital. Ele entrou no meu laboratório e eu pensei que fosse o veterinário. Isso não aconteceu às seis e poucos, mas às sete e meia, mais ou menos. Eu o levei à porta do terraço, onde estava o Basil, mas ele não saiu. Veio pra cima de mim... Ele queria... _soluço _...queria abusar de mim. Me pegou com aquelas mãos... e queria me beijar à força... o meu punhal não fica no meu quarto o tempo todo: eu o levo para o laboratório quando estou lá. Quando eu senti que o punhal estava ao meu alcance, dei um golpe com toda a força nas costas daquele homem. Eu não queria matá-lo, entende, queria que ele me soltasse. Mas ele percebeu que eu ia atingi-lo e tentou desviar, aí acertei um ponto vital... Foi horrível! Ele me olhou totalmente aterrorizado e saiu, com o punhal ainda nas costas. Correu pelo terraço afora e sumiu.
# “Eu não sabia o que fazer. Fiquei sentada no laboratório tentando me acalmar. O homem ia buscar ajuda na Mansão, alguém iria socorrê-lo e ia ficar tudo bem. Mas passou uma eternidade e não ouvi movimentação diferente, e achei estranho. Desci para ver o que estava havendo e, quando vi que ele não aparecera, voltei correndo ao laboratório para não me trair. Nunca vou me esquecer de quando o vi entrar, do alto da escada. Aquele olhar apavorado, aquele punhal... o meu punhal... ensangüentado, e as últimas palavras dele... Minha consciência pesada me fez ouvir o que ninguém mais entendeu... Ele disse, com todas as letras, antes de cair: A dona do cão...
# “Por sorte, consegui me dominar antes de descer as escadas. Enquanto estive sozinha no laboratório, decidi-me por não revelar precipitadamente que era eu a culpada. Eu temi, Sir Pete, temi por você. Se eu me confessasse, Mr. Darcângelo poderia acabar decidindo eliminar você na hora e me culpar por dois crimes, ao invés de um. Por isso, quando André começou a colocar meu testemunho em dúvida, me fingi de morta. Samael não só ia ficar sem um bode expiatório, como precisaria rever todo o seu plano. Com isso, achei que deixaria o senhor em paz por essa noite...
# Ela calou-se. Os olhos estavam vermelhos, mas ela não chorava. Seu ar infantil realçara-se novamente, fazendo-a parecer tão vulnerável, tão assustada...
# _Obrigado pela preocupação _Lorde Death disse, o mais suavemente que pôde. _Mas isso não pode ficar assim. Amanhã, a polícia terá que saber a verdade sobre a morte de Pugliesi. Além disso, o Cão Argentino é um bandido perigoso. Não posso manter em segredo tudo o que me contou.
# _Por favor, milorde _pediu ela, com uma voz estrangulada. _Apesar de tudo, apesar de querer me usar, meu pai ainda deve a vida a Mr. Darcângelo. E minha família são as pessoas mais importantes pra mim. Eu tenho uma dívida de gratidão com ele. Assim que sair do seu quarto, Sir Pete, vou ao quarto dele expor a situação. A menos que ele atente contra a vida do senhor novamente, não conte nada a ninguém! Amanhã de manhã, vou revelar a todos como matei o mordomo num momento de desespero e tentei me suicidar com um sonífero fortíssimo depois... Por favor...
# Lorde Death ficou olhando para ela em dúvida. Seu instinto profissional lhe dizia que lugar de bandido é atrás das grades, mas ele reconhecia as motivações da garota. Meneou a cabeça e ponderou:
# _Por enquanto, não falarei nada. Mas não posso prometer que não agirei quando a temporada na Mansão acabar. Quanto a você, acho melhor que não se exponha a um tipo tão perigoso. Eu falo com ele.
# _Nem pensar _ela balançou a cabeça com força. _Ele tem um facão e não duvido que saiba usá-lo. E pode ter um revólver. Deixe comigo. A gente se entende.
# Sorriu para ele, apagou a vela que trazia na mão e foi em direção à sacada. Antes que Lorde Death a alcançasse, ela saltou a grade. Ele perdeu o fôlego: a queda era muito grande para ela sair inteira. Quando a procurou no chão escuro lá embaixo, porém, Lorde Death não viu ninguém.

# _Boa noite, Sam.
# Samael ficou petrificado ao ver Strix parada na frente da porta-janela. Ela acendeu a vela novamente e sentou-se com desembaraço na cadeira da escrivaninha.
# _Não faça essa cara... Não quando eu voltei do mundo dos mortos só pra ter uma conversinha com você... e com o Lorde Death.
# O rosto dele ensombreceu-se. Ela continuou, animadamente.
# _Já falei com ele. Sabe, ele ficou muito aliviado em saber que no vidrinho rotulado arsênico tem só um inofensivo sal... _Abriu a gaveta do criado-mudo e retirou um vidro. _Nesse aqui, então, tem o sal mais trivial do mundo, o cloreto de sódio. Eu fico com isso.
# Mr. Darcângelo rangeu os dentes. Pegou o seu facão e deu um passo, mas Strix tornou, em um tom mais brando:
# _Pedi a Lorde Death que, em respeito à dívida do meu pai com você, não o prendesse imediatamente, Sam. E ele concordou, desde que você não atente contra a vida dele. Por favor, faça isso e, amanhã, quando a polícia vier, não acontecerá nada a você. E não tente fugir. Sua presença aqui é muito importante. Pode parecer loucura, mas a Mansão precisa de você. Estou falando sério: o Basil já melhorou da indisposição, e você sabe como os convalescentes sentem fome... Soltei-o na propriedade para ele fazer um pouco de exercício.
# Ao acabar de falar, Strix virou-se e se encaminhou à porta do quarto. Ela pensava em como não conseguia desgostar de Samael, mesmo depois de tudo o que soubera a respeito dele. Era algo com ele? Algum charme inexplicável? Ou com ela? Ele lembrava a ela seu irmão mais velho. Devia ser isso. Samael deu um passo à frente, incerto quanto ao que fazer com ela. Não deu mais que outro passo: a garota pegou um vidro de adoçante e exclamou:
# _Ah, então é aqui que veio parar o vidro de conta-gotas que enchi de fenolftaleína!
# Samael estacou. Com a voz trêmula de raiva, espumou:
# _Sua diaba! Você sabe que só eu uso adoçante na Mansão! Você me envenenou!
# _Ora, vamos, Sam, não seja tão dramático. Fenolftaleína não é veneno. É um inocente indicador ácido-base. Seu uso prolongado pode causar câncer, mas a fenolftaleína já foi até princípio ativo de remédio...
# _Qual remédio? _perguntou Samael, desconfiado.
# _Lactopurga.
# Ele praguejou, enquanto sentia uma dor abdominal que prenunciava uma noite difícil em uma mansão com o encanamento problemático.

***

# O inquérito da morte de Diego Pugliesi estava terminado. Strix havia conseguido provar que agira por legítima defesa, ainda mais quando se descobrira que Pugliesi era procurado por estupros e pedofilia. Um particular de Sir Pete com a polícia local acelerara ainda mais aquele feliz resultado.
# Os habitantes da Mansão estavam passando pela ponte consertada, naquele momento. Zaira adiantara-se para preparar o almoço, mas um uivar prolongado de Basil (que estava saudável e solto pela propriedade por motivos de conhecimento só dos leitores) fez com que moderasse seus ímpetos de chef. Os novatos conversavam alegremente. Tiago tentava contar uma piada de tribunal para Tuppie, mas essa nem prestava atenção, corando ocasionalmente.
# Mais à frente, Mitáfilo cantarolava distraído, sem perceber que André o estava usando habilmente como um escudo humano contra Lisa. A moça foi ficando indignada. Em um determinado momento, empurrou Mitáfilo com força para trás (ele caiu sobre uma indignada Tuppence, cujo rosto passou por todas as cores do arco-íris num instante) e forçou André a ficar de frente para ela.
# _Que moda é essa, agora, posso saber?
# O escritor, muito corado, não respondeu e continuou andando. Lisa barrou-o novamente e continuou, ainda mais raivosa:
# _Você não vai conseguir nada me pressionando desse jeito! Está se comportando de uma maneira horrenda e egoísta!
# Incapaz de responder aos capciosos argumentos, ele saiu de sua posição de superior indiferença e recaiu em balbuciantes desculpas. Lisa sorriu interiormente, satisfeita. Ficava aliviada de ver que tudo voltava ao normal.

# Samael andava com as mãos no bolso do longo sobretudo preto e ar taciturno. Em determinado momento, aproximou-se de Strix e Flávio, que conversavam (ele tinha agido com advogado dela e pretendia cobrar uma taxa que beirava a extorsão) e sussurrou para a garota:
# _Você me paga por tudo isso! Vai ver, no próximo conto meu, vou te colocar como a empregadinha desmiolada ou como a primeira vítima, daquele tipo que nem fala tem...
# _Você sabe como são irmãos mais novos... Esperarei ansiosamente! _ela sorriu.
# _Pode me aguardar. EU VOLTAREI!
# Foi se deixando ficar para trás, até que desapareceu por trás de um conveniente aglomerado de árvores. Quando Flávio quis falar algo a ele e olhou sobre o ombro, só viu um rolo de capim passando pela ponte.

# Luky, em um mundo de números e contratos, assustou-se ao ser abordada por Lorde Death. Ele parecia preocupado.
# _Com licença, Luky. Gostaria de fazer um pedido a você, como amigo do seu tio e hóspede fiel desse hotel.
# _D-Diga _ela concedeu, surpresa.
# _Quero que, na próxima temporada, transfira meu quarto para o sótão!
# _O sótão? Mas Pete, o sótão não tem banheiro, nem janelas...
# _Precisamente! Ele é espaçoso, é o que basta.
# Afastou-se, lembrando-se, perturbado, de como Strix entrara em seu quarto por uma sacada que estava a uns três metros e meio do chão, sobre uma parede lisa e escorregadia. Luky ficou abobada. Cada vez entendia menos os hóspedes! Apressou-se para se emparelhar com suas primas. Mal havia conseguido, foi abordada de novo, dessa vez por Strix.
# _Garotas... Estou desolada por tudo o que fiz... Agora é que a ACBR não vai conseguir mordomos, mesmo.
# _Não se preocupe, Strix _Luky disse, gentilmente. _Não foi culpa sua. Devíamos ter verificado os antecedentes desse homem antes de contratá-lo.
# _Mesmo assim, sinto-me responsável. Posso criar um homúnculo no laboratório, se quiserem, ou invocar um zumbi. Zumbis não são cadáveres podres, como muita gente acha, eles são como gente normal, só não têm vontade própria. Obediência total e nenhuma necessidade de salário e seguro-desemprego.
# _Hã... Obrigada, Strix, mas acho que ainda preferimos um mordomo tradicional.
# _Bem, se é assim, acho que posso conseguir outro Diego para vocês. Diego Mercier é um doce, só é meio esquentadinho. É estudante de música, e vai se casar esse ano, por isso está juntando dinheiro para comprar um apartamento. É claro, há Albert, que já mora aqui na Inglaterra, mesmo. É meio convencido, mas tem um perfeccionismo doente. Vai ser o mordomo mais correto que puderem imaginar.
# _Olha _Luky disse, tentando ser gentil _não se preocupe, mesmo. Deixe isso com a gente. Você não precisa se sentir responsável pelo novo mordomo, mesmo-mesmo. Diga para seus amigos se apresentarem para uma entrevista, aí, quem sabe?
# _Certo. Falando nisso, tem uma amiga que quer fazer uma reserva. Chama-se Camila Souza, e quer um quarto perto da cozinha, se for possível. Olhem o caso dela com carinho, tá?
# Sorrindo, Strix adiantou-se, salvando Tiago da falta de atenção às suas interessantes anedotas. As três Lucianas se entreolharam e, sem nenhuma combinação prévia, fizeram uma cruz com os dedos e cuspiram no chão.

Notas da autora

[1] O site da ACBR é http://acbr.luky.com.br A Área Restrita é uma das áreas desse site. O site é mantido pela Luky, e, por isso, ela foi a única que ganhou um personagem de destaque sem ser por contagem de número de e-mails.
[2] "Cão Argentino" é um dos muitos epítetos do leonino Samael, que incluem "Sam", "Sama", "Lobângelo Mau", "Donald" e "Maldito! Você vai ver quando eu te pegar!". "Não posso ser mais, não ouso ser menos" e o rolo de capim também são marcas registradas da Darcângelo Inc.
[3] Para quem não conhece a lista, os personagens citados que não fazem parte dos moradores são: Alexander Van Allen - o pai de Strix -, Diego Mercier e Albert. Os dois primeiros aparecem em “O Conservatório”, um folhetim pelo qual tenho o máximo carinho, e Albert... É melhor não falar sobre ele, ou o ego dele pode inflar e começar a disputar espaço com o do Sama... Os demais parentes de Strix também são fictícios.
[4] Kansendorf, ou, pelo menos, a Kansendorf do conto, é uma cidade fictícia. Se houver uma cidade com esse nome, espero que seus moradores não se sintam ofendidos com as palavras pouco lisonjeiras de Strix.
[5] Essa nota é para o seleto grupo de cinco pessoas que visitava com freqüência o Diário do Esquisito, um fotolog ultimamente abandonado. A Strix desse conto não é simplesmente uma referência a meu pseudônimo: é a mesma garota loirinha e meio amalucada que tinha o diário publicado alternadamente com as “Bizarras Aventuras de Dri-chan”. A descrição física, psicológica, bem como as especialidades e ocupações da garota são rigorosamente as mesmas, tirando pelo fato de que a Strix “original” mora no Brasil e não na Alemanha. D e Derek, as duas “sombras” dela ficaram de fora porque já tinha personagens demais nesse conto. Além disso, D teria quebrado a cara mordomo antes que ele se aproximasse um metro de Strix, e a história não teria ido para frente.

segunda-feira, maio 07, 2007

Mansão ACBR (3/4)

# 3ª parte! Strix sabe demais! Estará ela segura? ;)

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Parte 3 – A investigação

# Puseram o mordomo em um dos banheiros interditados da mansão. Apenas um banheiro social efetivamente funcionava e a falta de manutenção fazia com que o encanamento estivesse um pouco entupido.
# _Bem _pigarreou Sir Pete _Cá estamos nós. Falemos sem rodeios. Está nevando e a mansão está inacessível. Duvido muito que alguém tenha entrado ou saído. Isso nos deixa com... Um de nós para ter apunhalado o homem.
# Todos baixaram os olhos. Fran entrou, trazendo um bule de chá recém-feito. Serviu as xícaras, mas ninguém estava com estômago para beber chá naquele momento. A fumaça ficou subindo enquanto se entreolhavam sub-repticiamente.
# O silêncio foi interrompido por Strix, que acabava de entrar na sala e disse, em tom de lamento:
# _Sem dúvidas era o homem que entrou no laboratório mais cedo. Eu só queria saber quem o apunhalou com o MEU punhal.
# _Seu?!
# Os ouvidos da sala ficaram alertas.
# _É. É uma herança de família. Podem ver o “A” na defesa. Era pra ser do Lucius, o mano mais velho, mas ele não tinha interesse. Como sou especialista em armas brancas...
# _Você é o quê? _perguntou Luky, assombrada.
# _Especialista em armas brancas _ela sorriu. Pegou uma faca de cortar pão que estava na bandeja do chá e atirou-a com precisão entre dois livros _Papai sempre foi meio preocupado com a minha segurança. Quer que eu saiba me virar sozinha.
# O silêncio constrangido voltara. Alguém anotou num papelzinho: “- Especialista em armas brancas.” Sir Pete foi o primeiro a se recobrar e perguntou, com dureza:
# _E onde você guarda esse punhal?
# _Sempre deixo na mesa de cabeceira. Sabe, pro caso de ser surpreendida no sono. Já aconteceu uma vez, em um balneário.
# _Então estava esse tempo todo no seu quarto?
# _Sim.
# _E o seu quarto estava trancado?
# _Obviamente. Mas como a Luky tem uma chave extra dos quartos na recepção, temo que essa precaução não adiante muito.
# Luky enrubesceu.
# _É uma garantia. Imagine se vocês perderem suas chaves ou derem um piripaque enquanto estiverem trancados lá dentro?
# _Não estou te culpando de nada, Luky _Strix sorriu e piscou o olho para ela. _Só estou tirando o meu da reta.
# _De qualquer forma _Sir Pete disse, gravemente. _A polícia vai tirar as digitais do punhal e talvez descubramos quem pegou. Seria uma boa idéia separarmos a chave extra do quarto da Strix para colherem digitais dela também.
# _Se alguém souber colher digitais, _a garota não se conteve _tenho todo o equipamento. Sabe, luvas, saquinhos transparentes, pozinho... Além de colecionar venenos, também coleciono equipamentos de investigação. Tenho umas lupas bem potentes.
# Lorde Death olhou para ela com a testa franzida. Quando falou, sua ordem foi clara e ríspida:
# _Traga isso aqui. Não vou mexer no punhal, o que é lá com a polícia, mas quero ver essa chave. _Ela já ia sair para cumprir a ordem, quando ele acrescentou: _É melhor ir acompanhada. Só por precaução.
# O olhar dele percorreu Samael “Não confio nele!”, André “Muito tímido.”, Mitáfilo “Esses músicos! E ele nem estava lá embaixo quando o mordomo entrou.”, Tiago, Flávio “Não confio em advogados.”, Júnior “Nem em motoqueiros!” e terminou em Luís “Só um jovenzinho.” Suspirou, desanimado.
# Percebendo as intenções cavalheirescas dele, Strix sorriu.
# _Só preciso dessa companhia _tirou a faca da parede onde se cravara. _Não chega a ser uma arma branca, não tem 12 cm de lâmina, mas dá pra fazer um estrago.Saiu da biblioteca saltitando. Sir Pete franziu a testa.
# _Enquanto ela não volta, _Sir Pete continuou, com voz imperiosa _Vamos estabelecer alguns pontos. Em primeiro lugar, precisamos saber quem foi o último a ver o mordomo com vida e estabelecer os álibis.
# A palavra “álibi” ressoou ameaçadora na mente das pessoas na biblioteca. Desajeitadamente, cada um disse a última vez que viu o mordomo, começando por André, que estava à esquerda de Lorde Death.
# _Na hora do chá das cinco. Estávamos na sala de jantar, eu, a Lisa, Tuppie, as Lus, Zaira, Luís, Mônica e Pandora.As pessoas citadas confirmaram que não tinham visto o fulano depois do chá. Embora, no caso de Lu Bertini e Lu Naomi, isso não fosse bem verdade...
# O olhar geral recaiu sobre Mitáfilo, que parecia estar a quilômetros dali. Alguém pigarreou, e o silêncio que veio em seguida chamou a atenção do músico. Atordoado, endireitou-se.
# _Hein?
# _Quando viu o mordomo pela última vez, Mr. Neujahr?
# _Ah, isso?... Não sei. Ele levou uma bebida para mim lá pelo meio da tarde.
# _Meio da tarde é vago.
# _Eu sei. Mas entrei no meu quarto depois do almoço e não saí até que me chamasse para contar sobre o cadáver.
# _Quer dizer _disse Sir Pete com um tom de voz seco _que você não só não pode precisar a hora que viu o mordomo, como, de antemão, já nos informa que não tem um álibi válido desde o almoço até depois que o homem morreu.
# Mitáfilo estremeceu, mas apenas confirmou com a cabeça. Os próximos, em ordem, eram Tiago e Flávio.
# _Estivemos jogando sinuca a tarde toda no salão de jogos _explicou Tiago. _O cara trouxe bebidas para nós, mas deve ter sido bem mais cedo... Três horas, três e meia, algo assim...
# _Três e quinze. Olhei no relógio _Flávio secundou.
# _Não vi o homem desde o almoço _Júnior se adiantou. _Dei um passeio no Museu do Crime, conversei um pouquinho com as meninas, fiquei no meu quarto...
# _Também não o vi _ajuntou Fran. _Estava conversando com as meninas, mas não quis tomar chá... Em momento nenhum cruzei com ele.
# _Um de cada vez _ordenou Sir Pete com rispidez. _Mr. Darcângelo?
# _Ele me serviu um chimarrão perto da hora do chá. Um pouco antes, talvez... Sim, decididamente foi antes. Lembro-me de ouvir o sino do chá depois de ter bebido.
# _Certo. Luky?
# _Passei a tarde quase toda no hall, Pete. Só pude vê-lo de canto de olho, enquanto ele subia e descia as escadas com suas bandejas. Mas não me peça para precisar horários.
# _Fiquei na biblioteca o tempo todo. Também tenho certeza de que fui servido pelo mordomo antes do chá. Falta apenas perguntarmos a Strix se ela tem noção de quantas horas eram quando o mordomo bateu em seu quarto. Comecem a preparar seus álibis para depois do chá.# Strix voltou pouco depois com uma grande maleta preta.
# _Está tudo aqui.
# _Ótimo. Só uma pergunta. Que horas eram, mais ou menos, quando Mr. Pugliesi bateu em seu laboratório?
# _Quantas horas? Não sei ao certo, mas acho que foi pouco depois das seis. Sou muito boa para saber a hora que o Sol se põe, mesmo não podendo vê-lo. Pelos meus cálculos, quando o barbudinho bateu lá, decididamente já havia passado das seis, mas não muito.
# _Isso faz de você a última pessoa a ver o mordomo com vida.
# _Sério? _os olhos dela brilharam. _Fantástico! Mas isso não está muito certo. O último a vê-lo foi o Basil. Eu os tranquei no terraço, lembra?
# _Falando nisso... Tem alguma idéia do que o homem quês dizer com “o cão”?
# Pela primeira vez ela hesitou. Correu os olhos pelos hóspedes e abanou a cabeça.
# _Não, não posso imaginar. Basil jamais faria mal a ele. Não dei nenhuma ordem nesse sentido. E cães não apunhalam pessoas pelas costas.# Lorde Death suspirou. Aquela seria uma noite cansativa...
# _Vamos recapitular isso com ordem e método _disse Sir Pete, escrevendo em uma folha de sulfite. _Ás cinco, Diego Pugliesi serviu o chá. Mais tarde, recolheu as xícaras e as deixou na pia, para lavar depois. Algum tempo depois das seis, a julgar pela impressão de Strix, ele subiu ao laboratório. Ela trancou-o junto com o cão. Depois, Mr. Pugliesi só foi visto novamente às oito, pouco antes de cair morto. Suas últimas palavras foram “o cão”. Até aí, tudo certo.
# “Quanto aos álibis, poucos os têm válidos. Ou, em última análise, ninguém os tem válidos, já que uma ou mais pessoas podem estar de conluio. Mas vejamos. Luís alega que esteve com Júnior, Pandora, Mônica e Fran jogando Verdade ou Conseqüência. Nenhum deles se afastou do jogo. Zaira, Tuppence e Lisa ficaram vendo fotos. Tuppence se afastou apenas para pegar o álbum. As três Lucianas ficaram juntas resolvendo assuntos pertinentes ao conserto dos banheiros da Mansão. Tiago e Flávio ficaram na sala de jogos. Alegam ter jogado sinuca por um bom tempo e depois mudado para xadrez. Samael, Mitáfilo, Strix e eu ficamos sozinhos todo o tempo, portanto não temos nem sombra de álibi.
# “O que me intriga é a aparente ausência de motivo. Que ele foi apunhalado deliberadamente e à traição, está claro, já que a pessoa teve o trabalho de pegar o punhal no quarto de Strix e carregá-lo consigo. Mas por quê? Ele chegou hoje à Mansão. O que ele poderia ter feito para despertar em alguém a necessidade de matá-lo? E o que significam suas misteriosas palavras finais? Alguém tem alguma idéia?”
# Os hóspedes se entreolharam, sem jeito. Não tinham idéia e, se tivessem, não diriam na frente de todos. Muito vermelho, André arriscou:
# _Espero que não se ofenda, Strix, mas... Não tem nenhuma prova de que o homem esteve no seu laboratório no horário que você disse que esteve, nem de que o punhal estava em seu quarto.
# _Tem razão _disse ela, tranqüilamente, pegando uma xícara de chá. _De qualquer forma, mantenho meu testemunho _bebericou um pouquinho. O líquido estava apenas morno àquela altura.# _E também, _contrapôs Samael, em tom cortante _por que ela diria que viu o homem depois da hora do chá? Se fosse a assassina, nem sequer mencionaria que o conhece!
# _Obrigada, Sam _murmurou a garota, dando mais uma chupadinha no chá.
# André se encolheu um pouco, com a dureza da fala do outro. Sir Pete anotou esses fatos mentalmente.
# _Mais alguém tem pontos a discutir?
# O mais longo silêncio desde então se formou. Lorde Death preparava-se para interrogar cada um separadamente, quando Strix deixou a xícara de chá quase totalmente cheia cair. Ela estava estranha. Olhou para Sir Pete, súplice, e disse:
# _Eu menti quando disse que as palavras do mordomo não queriam dizer nada pra mim _bocejou. _Tem outro cão aqui na Mansão sem ser o Basil. Só que eu não podia... _pestanejou. _Não podia... Não...
# Caiu pesadamente para frente, desabando da poltrona. Luky correu para ela, e tentou reanimá-la, dando tapinhas em seu rosto. Os outros se aproximaram, circundando as duas. Tuppence tomou o pulso da garota e soltou um pequeno grito.
# _Não tem pulso!
# Constataram que ela também não tinha respiração. Todas as tentativas de acordá-la foram em vão. Foi com um abalo que todos perceberam que Strix estava morta.
# Depois de Mitáfilo e Lu Bertini deitarem o corpo de Strix em sua cama, o pequeno cortejo que os seguia lançou um último olhar para ela e se manteve na soleira da porta.
# Sir Pete dirigiu-se a todos num tom áspero que disfarçava a comoção:
# _Acabou a brincadeira de detetive. Voltem todos aos seus quartos, tranquem as portas, não comam nada, não bebam nada e não abram para ninguém. Amanhã, quando a polícia chegar, esse assunto será resolvido. Boa noite.
# Luky foi a última a deixar o quarto. Pôs um lençol de coelhinhos sobre o corpo e suspirou. “Pobre criança...” Encostou a porta sem fazer barulho. “Durma em paz.”

terça-feira, maio 01, 2007

Mansão ACBR - 2/4

Agora as coisas esquentam pra valer!

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Parte 2 – O assassinato

# Gritos ecoaram da ala oeste da mansão. Um cheiro horrível de ovo podre podia ser sentido até no hall. Luky acudiu imediatamente, enquanto Lu Naomi atendeu às batidas na porta.
# A origem do cheiro foi elucidada sem dificuldades: uma grande nuvem de espuma malcheirosa saía da porta do laboratório de Strix. Ela estava de jaleco, óculos de proteção e luvas, acionando um extintor que cuspia algo rosa. Os gritos tinham sido de Pandora e Fran. Aparentemente, tinham ido chamar a garota para montar uma mesa de bridge e acabaram dando de cara com a espuma.
# _Não precisa de pânico, Luky _Strix sorriu, enquanto manipulava o extintor de forma a empurrar a espuma de volta para o laboratório. _Foi só um pequeno vazamento que atingiu meu vidro de ácido e fez essa lambança toda. A propósito, Basil amanheceu meio doentinho hoje, liguei para um veterinário e ele disse que deve vir ainda hoje. Enquanto isso, talvez eu consiga fazer um remédio... Devo passar o dia todo no laboratório, só quero que me chamem quando o veterinário chegar, tá?
# Acabou de dominar a espuma e entrou, fechando a porta e pendurando uma plaquinha de “Gênio trabalhando”.
# _Acho melhor não contrariar _Luky disse, para as duas assustadas moças. _Vamos, quero apresentar nosso novo mordomo a vocês.
#
# Diego foi apresentado a todos (menos Strix, já que ninguém teve coragem de chamá-la) e Lu Naomi recebeu a incumbência de mostrar a ele as dependências da casa, enquanto explicava o trabalho. “Nossa, como ele abusa da loção!”, Luciana pensou, torcendo o nariz enquanto falava.
# _Mr. Pugliesi, aqui no hall, você pode ver que há uma campainha. Quando ela toca, é que um hóspede precisa de alguma coisa. O senhor atende o telefone que está sobre a mesinha do canto e atende o pedido. No térreo, ainda temos a biblioteca, veja só, alguns hóspedes gostam muito de ficar aqui quando querem paz e silêncio. Tirando quando algum anúncio importante deve ser feito, ninguém deve falar aqui dentro, sob nenhuma hipótese. Essa porta no fim do corredor é da Área Restrita, de entrada apenas para os hóspedes. Ainda temos o Museu do Crime, a cozinha e alguns banheiros. Agora, vamos subir as escadas.
# “Essa é a ala leste, onde estão os quartos. Todos têm uma placa com o nome do ocupante. Na ala oeste, apenas um quarto está ocupado, venha ver. Esse é o laboratório da Strix, quando essa plaquinha de “Gênio trabalhando” estiver pendurada, se o senhor tem amor à vida, é melhor não entrar. Os outro quartos, oficialmente, estão vazios. Apenas oficialmente. Esses hóspedes são tão imprevisíveis!...”
# O mordomo ouviu calado. Logo que se inteirou de todas as tarefas, saiu silenciosamente. Luciana estremeceu levemente quando o viu descer as escadas sem fazer ruído. “Estou ficando paranóica!”
#
# André andava de um lado para o outro na frente de uma das vitrines do Museu do Crime. A máscara branca de um famoso ladrão de jóias o olhava de trás do vidro, acompanhada das roupas e da arma de madeira usados por ele. Não eram a companhia mais animada do mundo... “Por que ela não aparece logo?”
# O esqueleto de um cão com o crânio estourado. Dez negrinhos de porcelana quebrados e colados precariamente. Um baú e um biombo. Um cartão de visitas amarelado escrito “Brilhantes Detetives de Blunt”. Um sarcófago greco-romano horrível. “Brrr... Esse lugar é horrível quando está à meia-luz e a gente está sozinho...”
# Um ruído veio de perto da porta. André deu um salto.
# _André? Você está aí? _alguém sussurrou.
# _Lisa? Você demorou.
# _A Tuppie me pegou de conversa. O que foi?
# _Lisa... Precisamos ter essa conversa. Agora.
# _O que foi? _ela repetiu, assustada com o tom dele.
# _É que... _suspirou fundo. _É que... Bem, você sabe. Não podemos continuar com isso indefinidamente, Lisie. Você tem um namorado. Eu... Eu preciso saber se... entre nós... é mesmo sério, ou se é só para você se divertir. Isso está me enlouquecendo... Mal consigo responder pelos meus atos. _Silêncio. _E então?
# Ela ficou surpresa de ser abordada assim. André sempre lhe parecera tímido demais para entrar nesse tipo de assunto. E o pior é que ela nem estava totalmente certa de seus sentimentos. Gostava de provocá-lo, mas... E o namorado? Ela também gostava dele. E ele era terrivelmente ciumento. O que fazer? O que responder? Abriu a boca para falar várias vezes, mas foi se permitindo ficar em silêncio. Lançou um olhar suplicante a André, mas ele parecia disposto a ir até o fim daquela vez.
# Mal ela abrira a boca para pedi-lo que não a pressionasse, ouviram um ruído vindo da porta. Não puderam ver mais que um vulto deslizando silenciosamente, mas o cheiro de loção que ficou no ambiente deixou bem claro quem deveria ser.
#
# Só Tiago e Flávio estavam no salão de jogos, fazendo uma nega de sinuca. Flávio deu uma tacada e errou a caçapa por pouco.
# _Tiago...
# Tiago também errou por pouco, ao estremecer com a voz do sócio.
# _Agora, não, Flávio.
# Flávio deu uma tacada excepcionalmente forte e encaçapou.
# _Se não agora quando?! _na sua exaltação, fez a bola branca pular da mesa. _Hastings, você sabe que mal temos com o que pagar nossa estadia aqui esse ano. Já estamos tendo que trabalhar de graça para aquela megera para ela não nos despejar do nosso apartamento!
# Tiago respirou fundo e tirou a bola quatro de jogo.
# _Você se preocupa demais. Eu já disse que tudo vai dar certo. Aquele meu negócio... Não tem como dar errado!
# _É claro que tem! Aliás, tem várias maneiras de dar errado! Se a polícia sonhar... _deu outra tacada raivosa, espalhando todas as bolas de suas posições.
# _Polícia, polícia, polícia... Até parece que sou um criminoso! _Tiago também descontou a impaciência na bola branca.
# _Está bem perto _errou a caçapa de novo, por conta do nervosismo.
# _Não reclame! Você também fez coisas desse tipo!
# Tiago encaçapou uma bola e olhou vitorioso par o sócio.
# Nesse momento de triunfo, um pigarro assustou os dois.
# _Sinto muito, senhores _Diego estava com uma bandeja. _Aqui está a bebida que pediram. Sinto pela demora. Querem mais giz para os tacos?
# _N-Não, obrigado.
# O mordomo fez uma reverência e se retirou. O ar impregnado de colônia masculina insinuava que ele talvez estivesse naquela sala por mais tempo que dera a entender.
#
# Sir Pete se refestelou na poltrona da biblioteca que ficava em frente à lareira. Um quadro de Leo Lopes estava pendurado lá, onde os retratos dos donos anteriores da mansão estiveram outrora, olhando zombeteiramente as prateleiras de livros.
# _Olá, Leo. Já faz tempo, não? É difícil arranjar um momento a sós por aqui...
# O retrato ainda estava mudo.
# _Eu juro que estou fazendo o possível. Lembra que disputamos a Mansão no leilão? Naquele dia você venceu. Agora, são suas sobrinhas. Isso não é justo, Leo, não é! Mas ainda mantenho a promessa que lhe fiz.
# O velho deu um suspiro dolorido. Um farfalhar de tecido o fez se virar bruscamente.
# _Seu chá, milorde.
# _Não entre assim sem se anunciar _repreendeu, irritado.
# _E não é permitido falar dentro da biblioteca. Tenha isso em mente no futuro.
# Diego não se deu ao trabalho de perguntar como se anunciar sem falar. Serviu o chá e saiu. Lorde Death bebeu o primeiro gole distraído e cuspiu com violência.
# “Salgado de novo! Quando eu pegar o engraçadinho!...”
#
# Mitáfilo dedilhava seu violão sem produzir nenhuma música específica. A conversa que havia tido há pouco com Tuppence tinha esgotado sua capacidade de pensar.
# “_Adriano! Você registrou a letra que compus para sua banda como sua?! Sabe que isso se chama roubo de propriedade intelectual?!
# _Tuppie... Por favor... Não é que eu queria... Todos ficaram dizendo que a letra era minha e coisa e tal... Quando o registro estava sendo feito, não tive coragem... Desculpe...
# _Você nem precisava disso! _ela disse, com lágrimas de raiva. _Todo mundo sabe que você é um bom letrista! Por que não pôde dar um espacinho para mim?!
# _Tuppie... Não fica assim... Eu vou desfazer isso, prometo! Vou fazer o registro voltar pro seu nome... Não chore, por favor. Tuppie...
# _Não estou chorando! Você é um farsante. Eu te odeio! E é bom fazer o que está dizendo, ou vou espalhar a história aos quatro cantos!”
# Ela saíra batendo a porta. Agora o remorso de Mitáfilo era maior que tudo. Ele era um maldito covarde! Tuppence era uma garota tão legal... Não cobrara nada para compor a letra para a banda, letra que estava conseguindo tirá-los do anonimato, e ele fizera isso.
# A bebida forte trazida pelo mordomo logo que Tuppie saíra caiu do céu para ele. Estava precisando muito daquilo para se reanimar.
#
# Samael chegou ao espelho. “Nem mamãe me reconheceria.” Tudo estava correndo bem até aquele momento. “Só mais um pouco. Mais um pouco e estarei livre!”
# Saiu para a sacada. Tinha sido sábia a decisão das Lucianas de transformar o terraço que interconectava os quartos da ala leste em sacadas individuais. Muito mais seguro. “Até parece que elas adivinharam!”
# Tirou um objeto do criado-mudo com todo o cuidado, segurando-o com a mão enluvada. “Mais um pouco. Só mais um pouco.” Uma tossezinha fez com que se virasse para a porta. “Mas ela estava fechada! Que audácia!”
# _Seu chimarrão, Mr. Darcângelo. Nunca havia preparado um antes, espero que esteja satisfatório.
# “Também espero, para o seu bem!”
# _Obrigado.
# “Argh! Como usa perfume, esse cara. Isso não é coisa de homem!”
#
# Luky, como sempre, tinha mil coisas para cuidar. Fazia uma lista de compras. Ia pedir ajuda para as primas, mas elas haviam deixado a sala. “Não sei se ser gerente daqui é uma honra ou um castigo! E essas benditas contas que não fecham!”
# Lu Naomi e Lu Bertini saíram disfarçadamente do hall e foram diretamente à adega. Tinham uma idéia e sabiam que a cautelosa Luky não iria aprovar. Mas droga, o hotel era delas também e elas achavam que precisavam ousar para crescer.
# Estavam com uma garrafa de Sirop de Cassis nas mãos, quando o mordomo apareceu para pegar umas garrafas. Olhou para elas com um olhar malicioso, pegou o que queria e saiu, sempre silencioso. As duas se entreolharam, a garrafa começando a tremer nas mãos de Lu Bertini.“E agora?”
#
# Uma pessoa entrou sorrateiramente na Área Restrita. Foi direto à escrivaninha e abriu o bauzinho com as fichas dos hóspedes. Procurava uma específica. “Cá está!” Uma garota com olhos azuis como os de uma boneca e ar de fragilidade o encarava da foto. A pessoa copiou uma ou duas informações relevantes daquela ficha e sorriu. “Pai e responsável: Alexander Van Allen. Perfeito! É ela mesma!”O papel que a pessoa estava segurando era um documento curioso.
# “Strix Van Allen: filha de Alexander Van Allen e neta de Marius Van Allen. Mais nova de onze irmãos, um já morto. Provável herdeira do Castelo.
# - Especialista em ciências ocultas.
# - Conhecimento bom em venenos.
# - Apenas finge comer (todo o chá que tem em suas xícaras pode ser encontrado nas pobres plantas das salas). Anorexia?
# - Confia muito nos outros.
# - Prestes a fazer faculdade de Química.
# - Tem renda própria. Qual a fonte?
# - Presenciou alguns crimes durante suas viagens, mas sua participação neles foi abafada pelo pai. Provas obtidas.”
# Depois de reler satisfeita sua obra, a pessoa saiu. Diego Pugliesi esperou que o indivíduo estivesse fora de visão, ignorou a placa de só para hóspedes da Área Restrita e começou a remexer as fichas, ele mesmo. Um estranho sorriso surgiu em seu rosto.
#
# Alguém bateu na porta do laboratório de Strix. “Finalmente, esse veterinário!” Atendeu alegremente. O homem começou a dizer alguma coisa, mas ela não permitiu.
# _Doutor! Graças a Deus, pensei que o senhor não vinha mais! Pode vir por aqui e sair pela porta do terraço. Basil está lá, esperando.
# _Mas... Mas...
# _Não se preocupe com o tamanho dele, é um doce!
# A menina baixinha o conduziu através de uma bancada até a porta do terraço e a escancarou.
# _Fique à vontade!
#
# A neve começou a cair muito grossa depois que anoiteceu. O vento parecia querer derrubar a mansão. Zaira exerceu novamente seus dotes culinários e o jantar foi servido. Os hóspedes chegaram pouco a pouco, mortos de fome.
# _Onde está o Mitáfilo? _perguntou Luky, notando a ausência daquela cabeleira.
# Tuppence emburrou. Ninguém respondeu e Luky perguntou de novo.
# _O mordomo deve saber _sugeriu Lu Bertini. _Mr. Pugliesi! Mr. Pugliesi!
# A voz dela ecoou pela mansão escura, mas não ouve resposta. Samael chamou-o também, com sua voz mais potente, mas não adiantou.
# _Ao invés de gritar o mordomo, é melhor gritarmos o Mitáfilo logo de uma vez! _ele disse, desgostoso. _Mitáfilo! Mitáfilo! ADRIANO!!!!!
# Nada. De repente, um tropel de passos começou a descer a escada. Só que quem desceu não era o Mitáfilo.
# _Boa noite, gente! Boa noite, Sam, boa noite, Fran, boa noite, Pete, André, Tiago, Lus, Zaira, Lisa, Flávio... Ah, tem gente demais, considerem-se todos cumprimentados!
# Com uma animação incomum para alguém que aparentemente não comia há horas, Strix foi à geladeira e abriu uma latinha que parecia de refrigerante.
# _A propósito, Strix... _perguntou Lu Bertini. _Você encontrou o novo mordomo enquanto descia? Ele começou hoje. Um barbudo, começando a ficar careca...
# _Mordomo? _ela engasgou ligeiramente. _Ele era um mordomo? Xiiiii...
# _Não gostei desse “xi”.
# _É que eu achei que ele era o veterinário que eu chamei pra examinar o Basil. Cheguei até a colocar a focinheira no pobre coitado. Eu não queria, vocês sabem que o Basil é um doce, mas o veterinário disse que não viria se eu não pusesse. Mas o que eu tava falando? Ah, é, o homem. Ele bateu na porta do laboratório e o pus no terraço, junto com o Bê. Mas se ele era só um mordomo... Ah, meu Deus, vou ter que ligar pro veterinário de novo!
# Sem aviso, saiu correndo e subiu as escadas. Samael balançou a cabeça.
# _É melhor pôr outro aviso de emprego de mordomo no site e nos jornais, Luky.
#
# Terminado o jantar, os moradores da mansão foram em grupo para o hall: alguns subiriam as escadas, outros iriam para a biblioteca. No momento em que começavam a se separar, a campainha tocou várias vezes.
# Lu Naomi estava mais perto da porta e a abriu. Um homem barbudo entrou cambaleante. O mais recente mordomo da ACBR caiu ajoelhado aos pés dela, com um punhal ensangüentado na mão. Com um olhar desvairado, começou gemer e a balbuciar
# _Ah... Oh... Ah... O cão...
# Não conseguiu mais se suster e se estendeu no chão. Podia-se ver uma ferida nas suas costas, bem próxima da área do coração.
# _Meu Deus...
#
# Depois do primeiro instante de surpresa, André abaixou-se e verificou o pulso e a respiração do homem. Pela sua expressão, nem precisava ter dito nada, mas foi automático:
# _Ele está morto.
# Strix vinha descendo as escadarias saltitando como sempre, cantarolando uma música alegre.
# _Quem tocou? É o veterinário?
# Ante o silêncio sepulcral, parou ainda nos degraus e olhou o homem estendido na entrada.
# _Ah... Eu não dou uma dentro, né? Ligo pra polícia?
# O silêncio permaneceu, ainda mais constrangido
_Eu faço isso _Luky se prontificou, tremendo. Foi até o telefone e fez a ligação.
# Os outros ficaram sem saber o que fazer.
# _Acho melhor _sugeriu Lorde Pete Death _que esclareçamos algumas coisas antes que a polícia chegue. Mesmo por que, com essa neve, é possível que demorem. Vamos nos reunir na biblioteca.
# Mal o grupo todo se instalou na biblioteca, Luky chegou, anunciando:
# _A polícia disse que a ponte que liga a vila à Mansão caiu e não poderá ser consertada até essa nevasca passar. Ela sugeriu que transportemos o corpo com cuidado até um lugar onde não transitemos muito e não toquemos em mais nada até eles chegarem. Também disse que ninguém pode entrar ou sair daqui, mesmo quando a neve parar.
# Concordaram, tensos. Todos estavam muito insatisfeitos por terem um novo caso de polícia na Mansão.